Jeep Story 1ª Parte 1902-1969

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Jeep Story 1ª Parte 1902-1969

Mensagem  AWAYOFLIFE em Sex Fev 01, 2013 4:17 pm

As raízes da Willys estão na Standard Wheel Company, uma fábrica de automóveis de um e de dois cilindros criada em 1902 na cidade americana de Terre Haute, no estado de Indiana, Estados Unidos. O seu proprietário, Charles Minshall conhece em 1902 o designer e construtor Claude E. Cox que tinha construído um veículo com 3 rodas para a sua tese no último ano do Ross Polytechnic Institute e apresenta-lhe o seu desejo de construir um automóvel. Claude E. Cox suportado pela Standard Wheel Company desenhou, construiu e apresentou o primeiro Overland a 12 de Fevereiro de 1903. Era um veículo bastante avançado para a época com um motor com 2 cil. arrefecido a água.


1903 Overland

Em 1904 a SWC perdeu o interesse no projeto e Claude E. Cox viu-se na iminência de comprar a empresa por $ 8 000 mas mais capital era necessário e é aqui que surge o financiador David M. Parry. Juntos constituem a 31 de Março de 1906 a Overland Automobile Co, com David M. Parry detendo 51% e Claude E. Cox 49%.


Claud E. Cox 1897-1964

A crise económica que a Overland Automobile Co. sofreu em 1907 quase a conduziu ao seu fim, sendo a empresa salva ao ser adquirida pelo empresário John North Willys, este tinha encomendado em 1906 toda a produção da Overland Automobile Co. depara-se com uma empresa quase falida em 1907 quando se desloca às suas instalações após esta deixar de lhe entregar as viaturas. Ele imediatamente decide assumir a companhia, monta uma enorme tenda, paga a todos os funcionários e reinicia a construção. Nesse ano constrói 465 carros.  


Jonh North Willys 25 Out. 1873 - 26 Ago. 1935

Em 1909 a Overland Automobile Co. compra a Pope Toledo em Toledo e muda-se para lá, nesse ano compra também The Marion Motor Car  Co., em 1912 compra a Edwards Motor Car Company que detinha os direitos de construção do motor Knigth. John North Willys era um entusiasta deste motor vindo a introduzir-lo no seu novo modelo, o "Willys Knight"


Willys Knight Touring

Ainda em 1912 John North Willys reorganiza a companhia mudando-lhe o nome para Willys-Overland Motor Company. Em 1917, a companhia dispunha de modelos de automóveis para três segmentos do mercado: o Overland, o Willys e o Willys Knight.


1926 Willys Overland Factory


1926 Willys Overland Factory

Foi com a Segunda Guerra Mundial que surgiu o principal marco da história da empresa, corria o verão de 1940 quando o exército americano identifica a necessidade de um veículo ligeiro de reconhecimento, capaz de transportar armamento ligeiro e pessoas, de forma a substituir os motociclos com "side-car".
A 22 de Junho desse ano a "Comissão Técnica do Departamento de Material do Exército Americano", composta pela infantaria, cavalaria, intendência e oficiais, emitiu uma proposta de especificações para um veículo que preenchesse essa necessidade.

Algumas das características que o novo veículo deveria contemplar:
- Não exceder os 1200 pounds (544Kg) aumentando a 1 de Julho para 1275 pounds (578Kg) e pouco depois para 1308 pounds (593Kg)
- Ser capaz de transportar 600 pounds (272Kg) de carga por estrada e fora de estrada
- Distância entre eixos não superior a 75" (1.905m) aumentada para 80" (2.032m) a 1 de Julho
- Altura não superior a 35" (0.889m) aumentada para 40" (1.016m) a 1 de Julho
- Distância ao solo de 6.25" (0.159m) no mínimo
- Ter tracção 4x4 com 2 caixas de transferência adequado para até 50Mph (+/-80Kmh) em estrada e descendo até as 3Mph (+/- 5Kmh) fora de estrada
- Permitir a instalação de uma metralhadora de cal. 30
- Ter um ângulo de aproximação de 45º e de 40º de saída
- Um corpo rectangular e pára-brisas dobrável
- Lugar sentado para 3 soldados


Os membros da comissão visitam a "American Bantam Motor Car Company" em Butler. A Bantam uniu-se à Spicer (fabricante de 4WD e componentes para eixos (Dana)) em Toledo de forma a adaptar um pequeno roadster Bantam civil às exigências do exército. A Bantam cedeu ao exército muitos veículos de teste e provou muitos dos conceitos básicos de desenho, que eventualmente foram incorporados no Jeep. Isto demonstra uma forte influência da Bantam nas especificações do veículo requerido pelo exército.


Bantam Factory

Com base nas especificações da comissão e desenhos em grande parte com origem na Bantam, a 11 de Julho de 1940 o Corpo de Intendentes pediu a 135 companhias que fizessem uma proposta para 70 veículos de reconhecimento conforme as especificações apresentadas.
Apenas duas empresas apresentaram propostas dentro da data limite de 23 de Julho de 1940, a American Bantam e a Willys-Overland. Apesar de a proposta da Willys ser realmente mais baixa a encomenda é feita à Bantam com o preço $171 185.75 dentro do valor orçado pelo Departamento de Guerra (menos $2 500 cada unidade).
A equipa da Bantam liderada pelo eng. Karl Probst (mentor do primeiro protótipo) trabalhou dia e noite para o entregar na, ou antes da data contratada (23 de Setembro de 1940) e a 21 de Setembro o eng. Harold Crist faz o 1º test-drive.
A 23 de Setembro Crist e Probst dirigem o veículo de nome "Number One" modelo "MK I ou GPV" de Butler até ao Campo Holabird (aproximadamente 270 milhas (+/- 435Km)) para o entregar ao exército chegando apenas meia hora antes do prazo.


Na foto podemos ver o 1º Bantam MK I com o eng. Karl Probst à esquerda com o braço no pneu suplente, o eng. Harold Crist ao volante.

CARACTERISTICAS DO BANTAM MK I 1940

Motor: Continental Motor Co. BY4112 4Cyl. 112cid 45hp @ 3 500 rpm
Torque: 86 lbs-ft @ 1800 rpm
Transmissão: 3 speed synchromesh Warner Gear T84
Caixa Transferência: Spicer Dana 18 two speed
Alavanca Vel.: Floor mounted
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front
Distância entre-eixos: 80 inches (2 032m)
Peso: Pilot No. 1: 1,840 lbs (835Kg)


O "Bantam MK I" foi entusiasticamente recebido e imediatamente posto em testes e apesar de alguns problemas terem sido detectados, estes eram de menor importância comparando com o excelente desempenho global e expressiva utilidade do novíssimo conceito de pequeno veículo militar.
A Willys e a Ford estiveram muito atentas apontando cuidadosamente tudo que se estava a passar durante os testes.
O exército acaba aprovando a encomenda dos restantes 69 veículos à Bantam após acordadas algumas alterações. Oito dos 69 deveriam ter as 4 rodas direccionais, sendo estes subcontratados a outra empresa.


Estes 69 veículos viriam a ser o Bantam MK II ou BRC-60 (BRC) significa Bantam Reconnaissance Car.

CARACTERISTICAS DO BANTAM MK II / BRC-60 1940

Iguais ao do MK I exceto no peso
Peso: BRC-60 1,940 lbs (880Kg)


Do primeiro contrato de 70 un. com a Bantam apenas um sobreviveu, o número de série 7 e pertence oficialmente à Instituição Smithsonian, esteve durante algum tempo em U.S. Army Transportation Museum em Fort Eustis, regressando em 2007 a casa em Pittsburgh onde ficará exposto no Senator John Heinz Pittsburgh Regional History Center, no maior museu de história da Pennsylvania localizado a cerca de 64 MKm da fabrica da Bantam em Buttler onde foi construído em 1940.

Entretanto a Willys e a Ford vêem reconhecidos os seus incensáveis esforços e manobras políticas procurando conseguir eles também vender, ao serem encorajados pelo exército (este pretendia ter mais que um fornecedor por receio que uma pequena companhia como a Bantam não tivesse capacidade de produção) a produzir eles também o seu protótipo baseado nas especificações de Julho.

O exército entendeu que o governo Americano deveria partilhar os planos de construção deste veículo para fins militares e a Bantam apesar de ver os seus projectos sendo copiados não se opôs. Outra das importantes decisões do exército prende-se com o limite irreal de peso, 1 308 pounds (593Kg) proposto pelo mesmo em Julho desse ano face às afirmações de todos os concorrentes de que seria completamente impossível à luz de todos os requisitos necessários para incrementar a potência e o desempenho, um peso inferior a 2 160 pounds (980Kg). Este peso foi indicado por conveniência da Ford, o "MK II" da Bantam pesava menos mas o "Quad" da Willys ultrapassava esse valor.


A 13 de Novembro de 1940 a Willys apresenta então o seu protótipo de nome Willys Quad foram feitas 5 un.

O vice-presidente da engenharia da Willys-Overland era Delmar G. "Barney" Roos. Ele desenhou o potente motor "Go Devil" do "Willys Quad" e liderou a equipa de produção durante a renhida luta Bantam/Willys/Ford. Dois "Willys Quad" foram entregues para testes, um com as 4 rodas direcionais. Não se conhece que algum "Willys Quad" tenha sobrevivido e mesmo fotos são raras.


Willys Quad 4 Wheel Steering

CARATERISTICAS DO WILLYS QUAD 1940

Motor: 134ci 4 cal L-head side valve "Go Devil"
Potência: 60bhp @ 4000rpm (Other sources say 62-65 bhp)
Torque: 105 pound-feet @ 2000 rpm
Transmissão: 3 speed synchromesh Warner Gear T84
Caixa de Transferência: Spicer Dana 18 two speed (a mesma que a da Bantam)
Alavanca de vel.: Mounted on steering column
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front (os mesmos que os da Bantam)
Distância entre-eixos: 80 inches (2 032m)
Peso: 2,423 lbs. (1 099Kg) (Outras fontes referem valores entre 2,418 to 2,520 lbs. (1 098 a 1143Kg)




Dez dias depois, a 23 de Novembro de 1940 é a vez da Ford apresentar o seu Ford Pygmy o primeiro com o radiador frontal plano.

A equipa da Ford, liderada por Dale Roeder, chefe de desenho da Ford, trabalhou intensamente no sentido de conseguir construir um protótipo superior ao da Bantam.
Persistem fortes suspeitas de ter existido da parte da Ford pressões junto do exército, dos políticos e de todos os que pudessem beneficiar a Ford em detrimento da Willys e da pequena Bantam alegando a sua maior capacidade de produção.
A Ford entrega ao exército dois "Ford Pygmy" para testes, ambos usaram o mesmo chassi, mas enquanto um tinha o "corpo" construído pela Ford o que o diferenciava um pouco do "Bantam BRC-60", o outro foi construído pela Budd Company, uma sub-contratada da Ford e especialista em "corpos" metálicos para veículos, este era muito parecido com o da Bantam. O protótipo com o "corpo" Ford é o preferido do exército, em especial a frente com o radiador direito e a grelha em aço estampado bem como o seu "corpo" retangular e os faróis protegidos por trás da grelha, vindo a tornar-se uma imposição do exército, estes pormenores, para os outros construtores. O exército encontrou ainda no "Ford Pygmy" uma melhor direção e melhor disposição dos botões/alavancas de controle beneficiando a sua utilização.
O ponto fraco do "Ford Pygmy" era o seu débil motor, apesar de tudo a Ford vê o seu protótipo aprovado a 6 de Janeiro de 1941.

CARACTERÍSTICAS DO FORD PYGMY 1940

Motor: 119.5 CID, 4 cyl, side valve 46 bhp @ 3,600rpm (Fordson Model N tractor engine)
Torque: 84 lbs-ft @ 1,500 rpm
Transmissão: 3 speed Model A
Caixa de Transferência: Spicer 2 speed (a mesma que a da Bantam)
Alavanca de vel.: Floor mounted
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front (os mesmos que os da Bantam)
Distância entre-eixos: 80 inches (2 032m)
Peso: 2,150 lbs. (975Kg)
   

O "Ford Pygmy" sobreviveu e está exposto no Veterans Memorial Museum, Alabama Center for Military History.

Ambos eram muito parecidos com o protótipo da Bantam, o que era normal visto as especificações serem as mesmas usadas por esta.

Depois de disputas publicas e políticas internas do exército relativas aos contratos, quantos e a que companhias os colocar, fica decidido a 14 de Novembro de 1940 encomendar 1 500 un. a cada um deles, Bantam, Willys e Ford. Enquanto isso o exército continua a avaliar os três protótipos apresentados e conclui que são muito semelhantes, nenhum deles é claramente superior ao outro, todos têm vantagens e desvantagens. O Willys têm um motor com um excelente desempenho mas peca pelo excesso de peso; os outros tinham também os seus prós e contras e o exército tomou nota de todos os prós e contras de cada um de forma a criar uma base de modificações a incorporar na encomenda de 1 500 un. que tinha colocado a cada um dos players.    

A 17 de Dezembro de 1940 são entregues ao exército para avaliação os restantes 69 "BRC-60" que tinham sido encomendados à Bantam. As alterações introduzidas nestes após os testes com o "Bantam MK I" resultaram e todos os responsáveis pelos testes ficaram impressionados e convictos que os próximos viriam ainda melhores. O entusiasmo era tal que todas as unidades do exército ansiavam por receber mais veículos destes para substituir as velhas motas com "side-car".

Primavera de 1941

As três encomendas de 1 500 un. deveriam ser entregues até 7 de Maio de 1941, mas vários contratempos ditam o seu atraso. Bantam faz a sua primeira entrega de 52 un. a 31 de Março de 1941 e constrói 65 un. por dia daí para a frente; a Ford constrói a sua primeira unidade a 28 de Fevereiro de 1941, mas as greves que ocorreram na altura na Spicer atrasam a entrega dos eixos tanto à Ford como à Bantam; a Willys trabalha exaustivamente para reduzir o excesso de peso, que penalizava o seu "Quad", abaixo dos 2 160 pounds (980Kg), o que lhe provoca um atraso de cerca de 3 meses.
Após uma minuciosa análise a cada porca, parafuso, anilha, até à redução de duas demão de tinta para apenas uma, a Willys foi capaz de redesenhar o seu protótipo mas contudo ultrapassando o tempo estabelecido.
As alterações introduzidas pelo exército levam a Bantam, a Willys e a Ford a apresentar novos modelos.

Em 1941 a Bantam entra em acordo com a Checker Car Campany para a construção do "Bantam BRC-40", julga-se que numa tentativa de convencer o exército de que não teria problemas de capacidade de produção, de concreto pouco se sabe sobre este acordo. Alguns destes veículos construídos pela Checker sobreviveram e um deles pode ser visto no Gilmore Car Museum in Hickory Corners, MI. Sobreviveram também alguns "BRC-40" construídos pela Bantam e um deles pode ser visto no Butler County Historical Society Museum in Butler, PA


American Bantam Car Company BRC-40 Assembly Line, Butler, PA, 1941


O modelo da Bantam BRC-60 dá agora lugar ao BRC-40


Bantam BRC-40 4W Steering

CARACTERÍSTICAS DO BANTAM BRC-40 1941

Motor: Continental Motor Co. BY4112 4 cal 112cid 45bhp @ 3,500 rpm
Torque: 83 pound-feet
Transmissão: 3 speed synchromesh Warner Gear T84
Caixa de Transferência: Spicer Dana 18 two speed
Alavanca de vel.: Floor mounted
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front
Distância entre-eixos: 79 inches (2m)
Peso: 2,070 lbs (939 Kg)


A Willys consegue melhorar o seu "Willys Quad" resultando no novo "Willys MA" e a 5 de Junho de 1941 inicia a produção das 1 500 un. pedidas pelo exército.
 

Willys MA

CARACTERÍSTICAS DO WILLYS MA 1941

Motor: 134ci 4 cal L-head side valve "Go Devil" 60bhp @ 4000rpm (Outras fontes dizem 62-65 bhp)
Torque: 105 pound-feet @ 2000 rpm
Transmissão: 3 speed synchromesh Warner Gear T84
Caixa de Transferência: Spicer Dana 18 two speed (igual à Bantam)
Alavanca vel.: Steering column mount
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front (igual à Bantam)
Distância entre-eixos: 80 inches (2 032m)
Peso: 2,450 lbs (1 111 Kg)


A Ford inclui também no seu "Ford Pygmy" as alterações pedidas pelo exército para esta encomenda tornando-o no "Ford GP".


Ford GP

CARACTERÍSTICAS DO FORD GP 1941

Motor: 119.5 CID, 4 cal, side valve 46 bhp @ 3,600rpm (Fordson Model N tractor engine)
Torque: 84 lbs-ft @ 1,500 rpm
Transmissão: 3 speed Model A
Caixa de Transferência: Spicer 2 speed (igual à Bantam)
Alavanca vel.: Floor mounted
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front (igual à Bantam)
Distância entre-eixos: 80 inches (2 032m)
Peso: 2,160 lbs (980 Kg)


Com a pressão da guerra a aumentar, o exército acaba dilatando o prazo de entrega e aumenta a quantidade inicialmente pedida; a Bantam acaba por entregar 2 605 un. do "BRC-40", a Willys entrega 1 553 un. 50 das quais com as 4 rodas direcionais do "Willys MA" e a Ford entrega 4 456 un. do "Ford GP".
Uma boa parte destes veículos foram enviados para Inglaterra, Rússia e outros países aliados, os restantes foram distribuídos por toda a América inclusive para o Alasca e Hawaii, onde os testes continuaram resultando em detalhadas comparações de todos os recursos, benefícios e deficiências. Todos estes testes, agora em maior escala, serviriam para aprimorar as especificações retiradas das melhores características dos três veículos preparando assim o exército a base que serviria para uma encomenda em grande escala.

Como complemento fica a informação de que outras companhias se interessaram pela intensa disputa Bantam/Willys/Ford e algumas chegaram até a entregar ao exército americano alguns protótipos, embora não se conheçam detalhes, sabe-se que a Chevrolet, Croslay, Davis e Kaiser estavam envolvidos, bem como a existência de um acordo entre a Bantam e a Checker chegando esta a construir 1 941 un. do "BRC-40" para a Bantam.

Verão de 1941, a WILLYS torna-se o PADRÃO

O envolvimento da América na guerra era iminente, não havia mais tempo a perder com novos desenhos, um dos três veículos tinha que ser o escolhido. No início é dado como vencedor a Ford com o "Ford GP", mas uma tempestade de protestos eclodiu, liderada pelo crítico jornalista I.F.Stone. A pequena companhia Bantam tinha originado o conceito, a Willys obteve o melhor dos testes, então como é possível vir o gigante Ford e ganhar o contrato????!!!
A suspeita de corrupção politica envolvendo a Ford era enorme, mas o exército alegava ter optado pela Ford por ser uma empresa grande, dando assim maior garantia de capacidade de entrega, bem como o seu modelo até tinha algumas características genuinamente superiores.
Depois de muitas audiências a Willys torna-se a vencedora ao ser escolhido como padrão o seu "Willys MA" principalmente pela superior potência do seu motor.
Desgraçadamente, a Bantam que originou o projeto, produziu 2 675 "Bantam's" e mostrou ter a adequada capacidade de produção para uma boa parte das necessidades do exército, foi deixada de fora. Numa espécie de compensação por não ter sido a escolhida, recebe do exército o pedido para a produção de atrelados e outros acessórios para o Jeep, que produziu até ao seu encerramento em 1956.


Bantam Trailer

Modificações ao "Willys MA" são requeridas de forma a este aproveitar o melhor dos outros concorrentes. A adjudicação do contrato com a Willys para a produção de 16 000 un. pelo valor de $738.74 cada, tem lugar a 23 de Julho de 1941 sendo entregues de seguida as especificações finais a serem introduzidas no veículo. Deveria incluir os sistemas elétricos standard do exército com uma bateria 2H, geradores para iluminação de 40 amp., foi seleccionada a caixa de velocidades e o travão de mão ao centro, o depósito de combustível aumentado para 15 US Gallons (aprox. 57 Litros) e um gancho de reboque militar na traseira. São aproveitados alguns elementos de desenho da Ford, tais como, o capô quadrado, a capota, o painel, parte do painel traseiro, porta-pneu, piso da frente, etc.
Esta junção transforma o "Willys MA" no "Willys MB" tornando-se em todo mundo, durante a II Guerra Mundial no mais famoso Jipe.


Willys MB

A Willys inicia então no Verão de 1941 a produção do "Willys MB" e entrega a totalidade da encomenda no final de Agosto desse ano.
Em Outubro era evidente que as encomendas seriam tão grandes que obrigariam a um segundo fornecedor, a Willys ciente disso coloca ao dispor do governo Americano todos os desenhos de engenharia e metodologia de produção em troca da garantia de metade das encomendas.
A Ford tinha perdido o concurso, mas a sua enorme capacidade de produção não podia ser negligenciada e a 10 de Novembro de 1941 é dado à Ford a possibilidade de construir também ela o "Willys MB" mas com o nome "Ford GPW", o "W" é acrescentado ao "Ford GP" de forma a certificar que seriam usadas todas as especificações padrão do "Willys MB".


Ford GPW

O "Ford GPW" apesar de ser construído com os desenhos do "Willys MB" tinha muitas pequenas diferenças, pequenos detalhes de produção, sendo talvez a mais visível, o membro transversal frontal em estrutura tubular no "Willys MB" e uma estrutura em forma de U invertido no "Ford GPW"; as primeiras 25 800 un. do "Willys MB" tinham uma "Slat Grill" uma grade feita de ripas verticais soldadas e o nome "Willys" em relevo no painel traseiro; na Ford, o nome em relevo também no painel traseiro era claro "Ford" e a grade era feita em aço estampado ficando assim mais barato (ver 2 fotos anteriores). Como o desejo do exército era que todos os veículos fossem iguais, trabalhou com a Willys e a Ford no sentido de tornar isso possível, por exemplo, a ideia da grade da Ford era melhor e a Willys em Abril de 1942 adotou-a. O exército insistiu também que tanto a Willys como a Ford retirassem o nome em relevo do painel.


Desenhos do Willys MB/Ford GPW

No inicio todos os motores eram produzidos pela Willys, mas a partir de 1942 também a Ford começa a produzir motores para o atual projeto "Willys GPW". A Midland Steel Corp produziu quadros com a especificação Willys tanto para esta como para a Ford, mais tarde a Ford troca a Midland pela Murray Corp. Durante 1941 e 1943 a Willys e a Ford produz cada uma os seus corpos, um pouco diferentes um do outro, a partir do início de 1944 ambas passam a usar o mesmo corpo produzido pela American Central Body of Connersville que construía o chamado "corpo composto".    

CARACTERÍSTICAS DO WILLYS MB/FORD GPW 1941-1945

Comprimento: 132.25" (3.359m)
Largura: 62" (1.575m)
Altura com pára-brisas: 69.75" 81.772m)
Altura sem pára-brisas: 52" (1.321m)
Motor: Willys or Ford 4 cyl L-head, 134.2 ci, 6.48:1 compression
Transmissão: Warner T-84J 3 speed synchromesh
Caixa de Transferência: Dana Spicer 18 2 speed
Alavanca de velocidades: Floor mounted
Eixos: Spicer Dana 4.88:1 23-2 rear, Dana 25 front
Sistema elétrico: 6v, neg ground
Distância entre-eixos: 80" (2.032m)
Altura ao solo: 8.75" (0.222m)
Ângulo de entrada: 45º
Ângulo de saída: 35º
Peso com combustível e água: 2 337 pounds (1 060Kg)
Profundidade de vau: 21" (0.533m)
Pneus: 6.00x16 non-directional


Uma vez padronizado o "Willys MB" e o "Ford GPW" o exército recolheu todos os protótipos anteriormente construídos e enviou uma parte para os aliados, outros foram vendidos como excedentes, alguns através do negociante Berg em Chicago, muito poucos ficaram nos EUA sendo hoje em dia muito raros.

Durante o decorrer da guerra, a Ford produziu 277 896 "Ford GPW" e a Willys produziu 335 531 "Willys MB". Estes modelos são produzidos até meados de 1945 terminando com o fim da II Guerra Mundial, o último "Ford GPW" foi construído a 30 de Julho de 1945 e o último "Willys MB" saiu da linha de montagem de Toledo a 20 de Agosto de 1945.

O sucesso e a versatilidade deste veículo era tão grande que ele servia para quase tudo que se podia imaginar.





"Good Lord, I don't think we could continue the war without the jeep. It does everything. It goes everywhere. It's as faithful as a dog, as strong as a mule, and as agile as a goat. It constantly carries twice what it was designed for, and still keeps on going."

                                                  -Ernie Pyle, famed World War II correspondent, June 4, 1943


Este Willys militar foi de tal forma difundido que ainda nos nossos dias muitas pessoas quando pensam no jipe militar a imagem que retêm é sem dúvida a do "Willys MB/Ford GPW".
Este famoso jipe "Willys MB"/"Ford GPW" resultou então do concurso que juntou a Bantam, a Willys-Overland e a Ford sendo a Willys a escolhida para a produção em massa, tomando como base o "Willys MA" e adicionando-lhe algumas melhorias retiradas do Bantam "BRC-40" e do "Ford GP".  

Para recordar um pouco aqueles tempos:

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Com o fim da guerra terminam também as encomendas do exército. A Jeep volta a apostar no mercado civil, desencadeando uma campanha publicitária especialmente direcionada aos agricultores americanos.





As excelentes capacidades de tração e resistência seriam extremamente úteis a estes e também aqui o sucesso foi enorme.





Do Willys militar ao Willys civil nasce o "Willys CJ" (CJ - Civilian Jeep)
Em 1944 os aliados estavam confiantes na vitória da guerra. Isto permitiu à Willys considerar a hipótese de projetar um Jeep para o mercado civil após a guerra. Não são conhecidos os pormenores por falta de documentação, mas julga-se que estaria a ser projetada a modificação do "Willys MB" adicionando-lhe entre outras coisas, uma porta traseira, uma barra de tração e uma capota de lona "mais civil", no que viria a ser o "Willys CJ-1". Nenhum "Willys CJ-1" sobreviveu e desconhece-se até quantos foram construidos.

O "Willys CJ-2" também conhecido como "AgriJeep" foi a segunda geração do protótipo que viria a tornar-se no primeiro Jeep civil e foi usado apenas para testes. Era, tal como o "CJ-1", baseado no militar "Willys MB", usava o mesmo motor (Go Devil), mas despojado de todos os recursos militares; herda do "Willys CJ-1" a porta traseira, usa uma transmissão manual T-90 com uma relação 5.38, uma caixa de transferência com uma relação baixa de 2.43:1 e recortes de ferramentas do lado do condutor, as placas em latão sobre o capô e pára-brisas já mencionava JEEP. O pneu suplente foi nos primeiros montado na frente da roda traseira do lado do passageiro sendo nos seguintes montado na traseira da mesma roda. Julga-se que alguns destes "Jeep Willys CJ-2" tenham sido distribuídos por alguns agricultores de forma a poderem ser evoluídos. Dos 45 "Jeep Willys CJ-2" construídos, apenas sobreviveram os nºs de série: CJ-2_06, CJ-2_09, CJ-2_11, CJ-2_12, CJ-2_14, CJ-2_26, CJ-2_32, CJ-2_37 e CJ-2_39. Só o CJ-2_09 foi restaurado.


Jeep Willys CJ-2 "AgriJeep"

CARACTERÍSTICAS DO JEEP WILLYS CJ-2 1944-1945

Motor: 134 ci (2.2L) L134, 60 hp
Transmissão: 3-speed Borg-Warner T-90manual
Distância entre-eixos: 80.16" (2.036m)


As lições retiradas do "Jeep Willys CJ-2" permitiram a produção em massa do primeiro JEEP civil. Em 1945 surge pela mão da Willys Overland o "Jeep Willys CJ-2A", já com um aspeto muito civilizado, sendo uma das mais notórias diferenças para com o "Willys MB" as grelhas frontais, o "Willys MB" tinha uma grelha com nove ranhuras e faróis embutidos, o "Jeep Willys CJ-2A" tinha uma grelha com sete ranhuras e os faróis também embutidos mas de maior dimensão; em vez da transmissão T-84 que equipava o "Willys MB", este contava com uma transmissão T-90 de 3 velocidades. O motor era o mesmo, o potente e fiável L-134 Go Devil. Muitos dos primeiros "Jeep Willys CJ-2A" foram construídos com peças que sobraram do militar "Willys MB", como blocos do motor e em alguns casos, quadros modificados. Em parte, o uso destas peças deveu-se à dependência da Willys com alguns fornecedores e às greves a que por vezes estes estavam sujeitos obrigando a Willys a recorrer a estes excedentes. Esta situação contribuiu para uma baixa produção durante 1945 e inicio de 1946.  


Jeep Willys CJ-2A

CARACTERÍSTICAS DO JEEP WILLYS CJ-2A 1945-1949

Motor: 134CID L134 60 hp (45 kW) I4
Transmissão: 3-speed Borg-Warner T-90 manual
Distância entre-eixos: 80" (2.032m)
Comprimento: 123.5" (3.137m)


Uma vez que este modelo nasceu vocacionado para ser usado no apoio à agricultura, à pecuária e até em algumas áreas da indústria, foi também disponibilizada uma enorme variedade de extras, como por exemplo: capota de lona, espelho retrovisor central interior ( os "Jeep Willys CJ-2A" de série apenas traziam espelho retrovisor exterior do lado do condutor), banco de passageiro ao lado do condutor e banco traseiro ( os "Jeep Willys CJ-2A" de série apenas traziam banco do condutor), guincho, elevador hidráulico traseiro, dupla escova limpa-vidros a vácuo ( os "Jeep Willys CJ-2A" de série apenas traziam limpa-vidros a vácuo do lado do condutor e um manual do lado do passageiro), molas reforçadas, arado de neve, farolins traseiros em ambos os lados ( os "Jeep Willys CJ-2A" de série traziam apenas um farolim traseiro do lado do condutor e um refletor traseiro do lado do passageiro), aparelho de soldar, cortador de erva, gerador, radiador próprio para climas mais quentes, aquecedor, degraus laterais, etc.

Os "Jeep Willys CJ-2A" foram produzidos com uma animada combinação de cores simbolizando de certa forma a esperança e promessa da América pós-guerra. Entre 1945 e meados de 1946 estes tinham disponíveis 2 combinações de cores: "Verde Pasto com as rodas em Amarelo Outono" e "Bege Erva Seca Bronzeada com as rodas em Vermelho Pôr-do-sol", em meados de 1946 são adicionadas novas combinações de cores, tais como: "Preto Princeton com as rodas em Vermelho Harvard ou Vermelho Pôr-do-sol", "Amarelo Michigan com as rodas em Verde Pasto ou Vermelho Pôr-do-sol ou Preto América", "Azul Normandy com as rodas em Amarelo Outono ou Vermelho Pôr-do-sol", e "Vermelho Harvard com as rodas em Amarelo Outono ou Preto América".
Em 1947 surgem as combinações "Cinza Picket com as rodas em Vermelho Harvard" e "Vermelho Luzon com as rodas em Bege Universal".
Em 1948 são adicionadas as combinações "Verde Esmeralda com as rodas em Beje Universal" e "Cinza Potomac com as rodas em Vermelho Harvard ou Preto América".
Em 1949 as combinações "Cinza Picket", "Amarelo Michigan" e "Azul Normandy" foram descontinuadas. A combinação "Verde Oliveira Baço" também foi utilizada em unidades para exportação.
Nos primeiros "Jeep Willys CJ-2A" os assentos eram cobertos em vinil "Verde Oliveira Baço", em meados de 1947 o vinil em "Cinza Ardósia" ficou disponível para certas combinações de cores sendo mais tarde adicionado também o vinil em "Vermelho Barcelona".

Foram produzidos 214 760 "Jeep Willys CJ-2A".

Vamos fazer uma pausa e recordar um pouco a infinidade de utilizações que este revolucionário veículo disponibilizava :

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Em 1946 a Willys Overland Motors introduz no mercado o 1º "Willys Jeep Station Wagon" desenhado e construído tendo como alvo o público em geral. A sua popularidade foi enorme. Este SUV foi desenhado pelo designer Brooks Stevens em meados de 1940 sendo produzido até 1965.


Jeep Willys Station Wagon

O seu corpo todo em aço facilitou a sua produção em massa, era fácil de manter e mais seguro que as versões com partes do corpo em madeira. Este foi um dos mais bem sucedidos modelos da Willys no pós-guerra. O modelo lançado em 1946 era o 463 alimentado pelo motor L4-134 Go-Devil,  em 1947 surge o "Willys Overland Truck" com 4 rodas direcionais, em 1948 é lançado o modelo 663 com o motor L6-148 Ligthning.


Jeep Willys Overland Truck

Ainda em 1948 é lançado também o "Willys Overland Jeepster", este trazia de série bastantes extras que o tornavam em uma versão de luxo.


Jeep Willys Jeepster VJ

Em 1949 é apresentado o sucessor do "Jeep Willys CJ-2A", o "Jeep Willys CJ-3A" sendo produzido até 1953. Era alimentado pelo L4-134 Go-Devil, tinha entre outras diferenças, uma suspensão reforçada (10 folhas) para suportar os diversos instrumentos agrícolas que vinham sendo introduzidos. Foram produzidos 131 843 "Jeep Willys CJ-3A", destes, cerca de 550un foram construídas pela Mitsubishi no final de 1952 e início de 1953 exclusivamente para a polícia japonesa e agência florestal.


Medidas do Jeep Willys CJ-3A


Jeep Willys CJ-3A

CARACTERÍSTICAS DO JEEP WILLYS CJ-3A 1949-1953

Motor: 134 cu in (2.2 L) Go Devil I4, 60 hp (45 kW)
Transmissão: 3-speed T-90 manual
Distância entre-eixos: 80 in (2.032m)


Em 1950, o exército decide, apesar de a guerra ter terminado, substituir o seu famoso "Willys MB" pelo "Willys M38 MC". Este era baseado no "Jeep Willys CJ-3A" com pequenas alterações de forma a se adaptar às necessidades militares, sendo as mais evidentes a sua estrutura e suspensão mais robustas, um sistema elétrico de 24v à prova de água e guarda-lamas plano. Quando comparado com o "Willys MB/Ford GPW", este era um pouco maior, com mais espaço para o motorista e passageiro, tenha também pneus maiores (7.00x16). Foram produzidos entre 1950 e 1952 45 473un.


Jeep Willys M38 MC

Em 1951 é construído o "Jeep Willys CJ-4", utilizava um motor Willys Hurricane e tinha uma distância entre eixos de 81" (2.057m). Foi um protótipo que não teve continuação, o desenho foi rejeitado e julga-se que o único construído terá sido vendido a um funcionário da empresa na altura.


Jeep Willys CJ-4 Protótipo

Em 1952 o "Jeep Willys M38 MC" é alvo de melhoramentos dando lugar ao "Jeep Willys M38 A1 MD". Este vinha com os guarda-lamas da frente arredondados, um pára-brisas de 2 peças com as escovas montadas no topo, o motor era um Hurricane F-Head 4-cycle, 4-cylinder com uma transmissão Warner T90. A sua produção teve início a 28 de Janeiro de 1952 e até 1960, ano em que é substituído, foram produzidas cerca de 100 000un.


Jeep M38 A1 MD

Em 1953 surge também no campo militar uma variante do "Jeep Willys M38 A1 MD" de forma a ser usado como ambulância. O "Jeep Willys M170" tinha um corpo 20" (0.508m) mais longo, suspensão mais forte e provisões para até 3 pacientes em macas; o pneu suplente e o jerry can encontravam-se ao lado do assento do passageiro, uma iluminação interior apropriada, uma série de compartimentos, almofadas de colisão e porta traseira eram as diferenças mais notórias. Alguns destes veículos foram também equipados para funcionar como veículo de transmissões rádio. Um total de 4 155 "Jeep Willys M170" foram produzidas entre 1953 e 1963.


Jeep Willys Ambulance M170

CARACTERÍSTICAS DO JEEP WILLYS M170 1953-1963

Motor: Willys MD, 4 cyl 134 cid 68 hp
Transmissão: 3 spd synchromesh
Distância entre-eixos: 101" (2.565m)
Comprimento: 155" (3.937m)
Largura: 60,5" (1.537m)
Altura: 80" (2.032m)
Pneus: 7.00 x 16
Velocidade Max.: 55 mph (88 Km/h)


Em 1953 o "Jeep Willys CJ-3A" é substituído pelo "Jeep Willys CJ-3B/M606 (sua versão militar)". Este ano ficou marcado pelo facto da Kaiser Motors ter comprado a Willys Overland Motor Company e lhe ter alterado o nome para Willys Motor Company. Dois anos depois, a Willys deixou de produzir automóveis nos Estados Unidos. No entanto, continuou a sua linha de produção com o fabrico de jipes e utilitários desportivos (SUV). Por fim, em 1963, esta subsidiária da Kaiser viu o seu nome ser alterado para Kaiser Jeep Corporation e a marca Willys foi descontinuada. O "Jeep Willys CJ-3B/M606 (sua versão militar)" introduziu uma grelha e um capô maior e disponibilizou a partir de 1963 como opção, uma transmissão manual de 4 vel. O "Jeep Willys CJ-3B/M606 (sua versão militar)" foi produzido até 1968 sendo construídas cerca de 196 000un. O projecto deste modelo foi licenciado a outros construtores internacionais, tais como a Mitsubishi no Japão que construiu este modelo entre 1953 e 1998, a Mahindra na India que construiu este modelo entre 1953 e 1 de Outubro de 2010; foi ainda em 1954, construído na Turquia, naquela que foi a primeira fábrica de automóveis a ser aberta neste país, a Türk Willys Overland.


Jeep Willys CJ 3B/M606

CARACTERÍSTICAS DO JEEP WILLYS CJ-3B/M606 1953-1968

Motor: 134 c.i.d. (2.2L) Hurricane I4, 75 hp (56 kW)
Distância entre-eixos: 80 in (2.032m)
Comprimento: 129 7/8 in (3.299m)


Em 1954, a recente detentora da Jeep, a Kaiser Motors, baseada no "Jeep Willys CJ-3B" e no anterior "Jeep Willys M38 MC" cria com a intenção de substituir o "Jeep Willys CJ-3B", o "Jeep CJ-5". Não o conseguiu substituir pois este continuou ainda em produção até 1968 mas conseguiu perpetuar o mito da Jeep ao conseguir produzir o "Jeep CJ-5" durante uns bons anos (1954 a 1983) sendo até honrosamente distinguido como "O veículo difícil de morrer". Um total  de 603 303 "Jeep CJ-5" foram construídos com várias motorizações e diversas versões especiais como o Tuxedo Park Mark III (1961-1963); Tuxedo Park Mark IV (1965); Camper (1969); 462 (1969); Renegade I (1970); Renegade II (1971); Renegade Models (1972-1983) com 304 cu in (5.0 L) V8, jantes de liga leve e um diferencial de deslizamento limitado Trac-Lok; Super Jeep (1973); Golden Eagle (1977-1983); Silver Anniversary (1979).


Jeep CJ-5

CARACTERÍSTICAS DO JEEP CJ-5 1954-1983

Motores: 134 cu in (2.2 L) Willys Hurricane I4; 192 cu in (3.15 L) Perkins Diesel I4; 225 cu in (3.7 L) Dauntless V6; 151 cu in (2.5 L) Iron Duke I4; 232 cu in (3.8 L) AMC I6; 258 cu in (4.2 L) AMC I6; 304 cu in (5.0 L) AMC V8
Transmissão: 3-speed manual e 4-speed manual
Distância entre-eixos: 81 in (2.057m) entre 1954-1971 e 83.5 in (2.121m) entre 1972-1983
Comprimento: 138.2 in (3.510m)
Largura: 68.5 in (1.740m)
Altura: 67.7 in (1.720m)


Em 1955 é introduzido o "Dispatcher Jeep ou DJ-3A" tomando como base o "Jeep Willys CJ-3A", usava o motor 134 cu in (2.2 L) Willys Go Devil straight-4 L-head e uma transmissão manual de 3 vel.; contava com diversos tipos de carroçaria, sendo uma delas especifica para a entrega de correspondência com o lugar do condutor à direita. Foi produzido até 1965 e ficou conhecido como Jeep Carteiro


Jeep DJ-3A

Neste ano é apresentado como modelo para 1956 o "Jeep CJ-6", este diferia do "Jeep CJ-5" apenas na distância entre-eixos, era 20" (0.508m) mais longo. Este modelo não teve grande sucesso no Estados Unidos sendo a maior parte da sua produção exportada para a Suécia e América do Sul. Apenas 50 172un. foram produzidas.


Jeep CJ-6

Em 1956 é introduzido o "Jeep Forward Control ou FC-150", um camião que tem como base o "Jeep CJ-5" e é substituído em 1957 pelo novo "Jeep FC-170". Até 1965, o ano em que terminou a produção da série "FC" são ainda introduzidos os "Jeep FC-170DRW, FC-180 e FC-190".


Jeep FC-150


Jeep FC-170

O jipe militar "Jeep M-151" foi o último dos 1/4Ton que começou na II guerra mundial a ser produzido pela Ford e pela AM-General entre 1960 e 1969 vindo a ser substituído em 1985 pelo HMMWV (High Mobility Multi-Purpose Wheeled Vehicle).


Jeep M-151

Em 1961 surge uma nova série, a FJ. O "Jeep FJ-3 Fleetvan" era uma carrinha compacta baseada no "Jeep DJ-3A Dispatcher" mas equipada com o motor F-134 Hurricane seguindo também a filosofia do anterior Jeep Carteiro. Esta série foi produzida entre 1961 e 1965.


Jeep FJ-3/3A

Em 1962 surge a série "J-Gladiator", produzida até 1987, um Jeep pickup com um desenho notável que lhe permitiu ser produzido durante mais de 26 anos apenas com pequenas modificações. Contou com diversas versões sendo a primeira a J200 produzida entre 1962 e meados de 1965 (pickup com curta distância entre-eixos); a J2000 e J300 entre meados de 1965 e meados de 1967 (pickup com uma maior distância entre-eixos); a J3000 e J4000 com uma distância entre-eixos ainda maior, 131" (3.300m) entre meados de 1967 e 1971. Em 1971 o nome "Gladiator" é retirado passando a vigorar o nome "Jeep Pickup" mantendo-se em produção até finais de 1987 princípio de 1988.


Jeep Pickup J-Gladiator

O primeiro Jeep 4x4 de luxo surge em 1963 denominado de "Jeep Wagoneer" sendo produzido até 1991, recebendo apenas pequenas alterações ao longo dos seus 28 anos de produção. Este modelo para além de se diferenciar pelo luxo que ostentava, oferecia também recursos inéditos na época para uma veículo 4x4, como por exemplo a direção hidráulica e a transmissão automática. Este veio substituir o "Willys Jeep Station Wagon" de 1946 surgindo também pela mão do designer industrial Brooks Stevens com um custo de desenvolvimento na ordem dos us$20 milhões. O "Jeep Wagoneer" partilhou a sua arquitetura com o "Jeep J-Gladiator", disponível em duas e quatro portas, o de 2 portas estava também disponível como furgão.


Jeep Wagoneer

Em 1965 o "Jeep DJ-3A" é substituído pelo "Jeep DJ-5/6", este era baseado no "Jeep CJ-5" e usava como motores o Hurricane e o Dauntless.
No seguimento do "Jeep Wagoneer", em 1966 é apresentado o "Jeep Super Wagoneer", ainda mais luxuoso que o anterior "Jeep Wagoneer", contava também com um motor mais potente, e um sem número de recursos standard como rádio push-button, luzes de cortesia no teto, ar-condicionado, porta traseira hidráulica, etc.


Jeep Super Wagoneer


Jeep Super Wagoneer

Ainda em 1966 a Jeep para combater a Toyota com o seu Land Cruiser e a Ford com o Bronco, lança no mercado o "Jeep Jeepster Commando". Disponível em 4 versões, o "Jeep Jeepster Commando Pickup", o "Jeep Jeepster Commando Wagon", o "Jeep Jeepster Commando Roadster" e o "Jeep Jeepster Commando Convertivel". Estes Modelos são produzidos até 1973, contando com pequenas atualizações de estética bem como diversas motorizações como por exemplo:  F134 Hurricane I4 —134.2 CID (2,199 cc), 75 hp (55 kW) e 114 ft·lbf (154 Nm), Dauntless 225 V6—225.3 CID (3,692 cc), 160 hp (119 kW) e 235 ft·lbf (318 Nm), etc.


Jeep Jeepster Commando

Neste ano o exército recebe uma variante do "Jeep M-151", o "Jeep M-718", este levou algumas alterações de forma a ser usado como ambulância, era mais longo 10" (0.255m) e mais alto 5.25" (0.133m), foi produzido até 1980 e tal como o "Jeep M-151" foi também substituído em 1985 pelo HMMWV (High Mobility Multi-Purpose Wheeled Vehicle).


Jeep M-718

Em 1967 é introduzida no mercado uma nova versão do DJ, o "Jeep DJ-5A/5M", estes usavam um motor a 4-cylinder Chevrolet Nova 153 cu in (2.5 L) e uma transmissão automática de 2vel. Powerglide. A série DJ é produzida até 1984 terminado com o "Jeep DJ-5M" que usava como motor um AMC Straight-4 150 cu in (2.5 L). Em 1974 viria a ser testado o "Jeep DJ-5E", um Jeep eléctrico de tração traseira. Este era alimentado por duas baterias de ácido-chumbo de 27 volts debitando 30cv., tinha uma velocidade max. de 33mph (53Kmh) e uma autonomia de 29mi (49Km).

Façamos uma pausa para recordar tempos passados, este não podia cá faltar Wink

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Fim da 1ª parte


Tudo o que aqui partilho foi retirado da internet e resulta do dedicado trabalho de muita gente, a todos o meu sincero agradecimento por partilharem publicamente toda esta valiosa informação. Peço desculpa por qualquer omissão ou erro histórico ou de tradução que possam detetar.

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